Extração de siso: quando é necessária e como é a recuperação
Por Dra. Nathália Nogueira — CRO-PR 39044 ·
Resposta direta: nem todo siso precisa sair. A extração é indicada quando o dente está impactado, causa infecção recorrente na gengiva ao redor, tem cárie que não pode ser tratada, empurra ou reabsorve o dente vizinho, ou está em posição que impede a higienização. Siso bem posicionado, funcional e higienizável pode ser mantido com acompanhamento.
Quando a extração é indicada
Impacção. O dente não tem espaço para irromper completamente e fica preso, total ou parcialmente, no osso ou sob a gengiva. É a indicação mais frequente.
Pericoronarite recorrente. Quando o siso irrompe parcialmente, forma-se uma dobra de gengiva sobre ele. Restos alimentares e bactérias se acumulam nesse espaço, que não é higienizável. O resultado são episódios repetidos de inflamação, com dor, inchaço e dificuldade de abrir a boca.
Cárie. O siso é o dente mais difícil de escovar. Cárie ali é comum, e restaurar é tecnicamente complicado pelo acesso. Muitas vezes extrair é mais previsível que restaurar.
Dano ao dente vizinho. Siso inclinado pode pressionar a raiz do segundo molar, causando reabsorção — que é irreversível e pode custar os dois dentes se não for identificada a tempo.
Cisto ou lesão associada. O folículo ao redor de um dente incluso pode originar cisto, que cresce lentamente e destrói osso sem dar sintoma.
Indicação ortodôntica ou protética, quando o siso interfere no planejamento.
Quando pode ser mantido
Se o siso está totalmente irrompido, em posição correta, com espaço suficiente, sem cárie, com gengiva saudável ao redor e você consegue escová-lo adequadamente — não há motivo para extrair.
Extração profilática de todo siso, sem indicação clínica, não é consenso. O que existe é acompanhamento radiográfico periódico.
Como é o procedimento
A avaliação começa com radiografia panorâmica, que mostra posição, número de raízes e proximidade com estruturas anatômicas importantes — nervo alveolar inferior na mandíbula, seio maxilar na arcada superior. Em casos complexos, pode ser necessária tomografia.
O procedimento é feito com anestesia local. Conforme a posição, pode envolver incisão na gengiva, remoção de osso ao redor e divisão do dente em partes para retirada. A sutura é comum e os pontos costumam ser removidos entre 7 e 10 dias.
Duração típica: de 20 minutos, em casos simples, a mais de uma hora em impacções complexas.
Recuperação, dia a dia
Primeiras 24 horas. Sangramento leve é esperado. Morda a gaze conforme orientado. Compressa fria por fora, em ciclos de 15 minutos. Alimentação fria ou morna e macia. Repouso.
Dia 2 e 3. Pico do inchaço, normalmente no segundo dia. Pode haver dificuldade de abrir bem a boca e hematoma na face. É esperado e regride.
Dia 4 a 7. Melhora progressiva. Reintrodução gradual de alimentos. Retomada das atividades na maioria dos casos.
Dia 7 a 10. Remoção dos pontos, se não forem absorvíveis.
Semanas seguintes. Fechamento do tecido gengival. O preenchimento ósseo do alvéolo continua por alguns meses, silenciosamente.
O que evitar nas primeiras 24 horas
Esta lista existe por um motivo específico: proteger o coágulo que se forma no alvéolo. Sem ele, o osso fica exposto — condição chamada alveolite, bastante dolorosa e que prolonga muito a recuperação.
- Não bocheche com força
- Não cuspa
- Não use canudo
- Não fume
- Não faça esforço físico ou academia
- Não consuma bebida alcoólica
- Não coma alimentos quentes
Após 24 horas, retome a higiene com escovação suave, evitando a região operada, e bochechos delicados se orientado.
Sinais de alerta
Procure a dentista se ocorrer:
- Dor que piora a partir do terceiro dia, em vez de melhorar
- Dor intensa irradiando para o ouvido, com gosto ou odor ruim — sinal clássico de alveolite
- Sangramento abundante que não cessa com compressão
- Febre acima de 38°C
- Inchaço que aumenta depois do terceiro dia
- Dificuldade progressiva para engolir ou respirar
- Dormência persistente no lábio ou queixo além do esperado
Existe idade ideal?
Extrações tendem a ser tecnicamente mais simples entre o fim da adolescência e o início dos vinte anos, quando as raízes ainda não estão completamente formadas e o osso é menos denso. A recuperação também costuma ser mais rápida.
Isso não significa que extrair depois seja problemático — apenas que o procedimento pode ser mais complexo e a recuperação um pouco mais longa. A decisão é sempre individual, baseada em avaliação clínica e radiográfica.
A Dra. Nathália Nogueira realiza extração de siso em Curitiba, no Bom Retiro, com avaliação radiográfica e orientação de pós-operatório.
Agendar avaliação pelo WhatsApp
Conteúdo com finalidade exclusivamente educativa. Não substitui consulta, avaliação ou diagnóstico profissional.
Dra. Nathália Nogueira — Cirurgiã-Dentista, CRO-PR 39044. Formada pela UFPR. Atende em Curitiba, no bairro Bom Retiro.
Perguntas frequentes
Todo siso precisa ser extraído?
Não. Siso bem posicionado, totalmente irrompido, com espaço suficiente, sem cárie e possível de higienizar pode ser mantido e acompanhado. A extração é indicada quando há impacção, pericoronarite recorrente, cárie, cisto, reabsorção do dente vizinho ou impossibilidade de higienização adequada.
Quanto tempo dura a recuperação da extração de siso?
O desconforto mais intenso ocorre nas primeiras 48 a 72 horas, com pico de inchaço no segundo dia. A maioria retoma atividades normais entre 3 e 7 dias. A cicatrização completa do tecido leva algumas semanas, e a do osso, alguns meses.
Extração de siso dói?
Durante o procedimento não, porque a região é anestesiada. O desconforto vem depois, quando a anestesia passa, e é controlado com a medicação prescrita. A intensidade varia conforme a posição do dente e a complexidade da cirurgia.
O que não fazer depois de extrair o siso?
Nas primeiras 24 horas, não bocheche com força, não cuspa, não use canudo, não fume e não faça esforço físico. Essas ações podem deslocar o coágulo e causar alveolite, uma complicação dolorosa que atrasa bastante a cicatrização.
Posso extrair os quatro sisos de uma vez?
É possível em alguns casos, mas depende da complexidade de cada dente, da saúde geral do paciente e do tipo de anestesia. Muitos profissionais preferem dividir por lado, o que permite mastigar do lado oposto durante a recuperação.
