Dra. Nathália Nogueira
Cirurgia 6 min de leitura

Extração de siso: quando é necessária e como é a recuperação

Por Dra. Nathália Nogueira — CRO-PR 39044 ·

Resposta direta: nem todo siso precisa sair. A extração é indicada quando o dente está impactado, causa infecção recorrente na gengiva ao redor, tem cárie que não pode ser tratada, empurra ou reabsorve o dente vizinho, ou está em posição que impede a higienização. Siso bem posicionado, funcional e higienizável pode ser mantido com acompanhamento.

Quando a extração é indicada

Impacção. O dente não tem espaço para irromper completamente e fica preso, total ou parcialmente, no osso ou sob a gengiva. É a indicação mais frequente.

Pericoronarite recorrente. Quando o siso irrompe parcialmente, forma-se uma dobra de gengiva sobre ele. Restos alimentares e bactérias se acumulam nesse espaço, que não é higienizável. O resultado são episódios repetidos de inflamação, com dor, inchaço e dificuldade de abrir a boca.

Cárie. O siso é o dente mais difícil de escovar. Cárie ali é comum, e restaurar é tecnicamente complicado pelo acesso. Muitas vezes extrair é mais previsível que restaurar.

Dano ao dente vizinho. Siso inclinado pode pressionar a raiz do segundo molar, causando reabsorção — que é irreversível e pode custar os dois dentes se não for identificada a tempo.

Cisto ou lesão associada. O folículo ao redor de um dente incluso pode originar cisto, que cresce lentamente e destrói osso sem dar sintoma.

Indicação ortodôntica ou protética, quando o siso interfere no planejamento.

Quando pode ser mantido

Se o siso está totalmente irrompido, em posição correta, com espaço suficiente, sem cárie, com gengiva saudável ao redor e você consegue escová-lo adequadamente — não há motivo para extrair.

Extração profilática de todo siso, sem indicação clínica, não é consenso. O que existe é acompanhamento radiográfico periódico.

Como é o procedimento

A avaliação começa com radiografia panorâmica, que mostra posição, número de raízes e proximidade com estruturas anatômicas importantes — nervo alveolar inferior na mandíbula, seio maxilar na arcada superior. Em casos complexos, pode ser necessária tomografia.

O procedimento é feito com anestesia local. Conforme a posição, pode envolver incisão na gengiva, remoção de osso ao redor e divisão do dente em partes para retirada. A sutura é comum e os pontos costumam ser removidos entre 7 e 10 dias.

Duração típica: de 20 minutos, em casos simples, a mais de uma hora em impacções complexas.

Recuperação, dia a dia

Primeiras 24 horas. Sangramento leve é esperado. Morda a gaze conforme orientado. Compressa fria por fora, em ciclos de 15 minutos. Alimentação fria ou morna e macia. Repouso.

Dia 2 e 3. Pico do inchaço, normalmente no segundo dia. Pode haver dificuldade de abrir bem a boca e hematoma na face. É esperado e regride.

Dia 4 a 7. Melhora progressiva. Reintrodução gradual de alimentos. Retomada das atividades na maioria dos casos.

Dia 7 a 10. Remoção dos pontos, se não forem absorvíveis.

Semanas seguintes. Fechamento do tecido gengival. O preenchimento ósseo do alvéolo continua por alguns meses, silenciosamente.

O que evitar nas primeiras 24 horas

Esta lista existe por um motivo específico: proteger o coágulo que se forma no alvéolo. Sem ele, o osso fica exposto — condição chamada alveolite, bastante dolorosa e que prolonga muito a recuperação.

  • Não bocheche com força
  • Não cuspa
  • Não use canudo
  • Não fume
  • Não faça esforço físico ou academia
  • Não consuma bebida alcoólica
  • Não coma alimentos quentes

Após 24 horas, retome a higiene com escovação suave, evitando a região operada, e bochechos delicados se orientado.

Sinais de alerta

Procure a dentista se ocorrer:

  • Dor que piora a partir do terceiro dia, em vez de melhorar
  • Dor intensa irradiando para o ouvido, com gosto ou odor ruim — sinal clássico de alveolite
  • Sangramento abundante que não cessa com compressão
  • Febre acima de 38°C
  • Inchaço que aumenta depois do terceiro dia
  • Dificuldade progressiva para engolir ou respirar
  • Dormência persistente no lábio ou queixo além do esperado

Existe idade ideal?

Extrações tendem a ser tecnicamente mais simples entre o fim da adolescência e o início dos vinte anos, quando as raízes ainda não estão completamente formadas e o osso é menos denso. A recuperação também costuma ser mais rápida.

Isso não significa que extrair depois seja problemático — apenas que o procedimento pode ser mais complexo e a recuperação um pouco mais longa. A decisão é sempre individual, baseada em avaliação clínica e radiográfica.


A Dra. Nathália Nogueira realiza extração de siso em Curitiba, no Bom Retiro, com avaliação radiográfica e orientação de pós-operatório.

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Conteúdo com finalidade exclusivamente educativa. Não substitui consulta, avaliação ou diagnóstico profissional.

Dra. Nathália Nogueira — Cirurgiã-Dentista, CRO-PR 39044. Formada pela UFPR. Atende em Curitiba, no bairro Bom Retiro.

Perguntas frequentes

Todo siso precisa ser extraído?

Não. Siso bem posicionado, totalmente irrompido, com espaço suficiente, sem cárie e possível de higienizar pode ser mantido e acompanhado. A extração é indicada quando há impacção, pericoronarite recorrente, cárie, cisto, reabsorção do dente vizinho ou impossibilidade de higienização adequada.

Quanto tempo dura a recuperação da extração de siso?

O desconforto mais intenso ocorre nas primeiras 48 a 72 horas, com pico de inchaço no segundo dia. A maioria retoma atividades normais entre 3 e 7 dias. A cicatrização completa do tecido leva algumas semanas, e a do osso, alguns meses.

Extração de siso dói?

Durante o procedimento não, porque a região é anestesiada. O desconforto vem depois, quando a anestesia passa, e é controlado com a medicação prescrita. A intensidade varia conforme a posição do dente e a complexidade da cirurgia.

O que não fazer depois de extrair o siso?

Nas primeiras 24 horas, não bocheche com força, não cuspa, não use canudo, não fume e não faça esforço físico. Essas ações podem deslocar o coágulo e causar alveolite, uma complicação dolorosa que atrasa bastante a cicatrização.

Posso extrair os quatro sisos de uma vez?

É possível em alguns casos, mas depende da complexidade de cada dente, da saúde geral do paciente e do tipo de anestesia. Muitos profissionais preferem dividir por lado, o que permite mastigar do lado oposto durante a recuperação.

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